Patrimônio
Maior conjunto homogêneo de arquitetura barroca do Brasil, Ouro Preto é uma jóia rara encravada entre as montanhas de Minas Gerais. No auge do ciclo do ouro, foi construída por artistas e escravos, que dos modelos europeus criaram um estilo nacional. Com o declínio do garimpo, no final do século XVIII, a cidade viu sua intensa movimentação social reduzida à administração burocrática do estado. A transferência da capital para Belo Horizonte, em 1897, trouxe à cidade um isolamento ainda maior.
Se para a economia do município estas perdas foram enormes, seu patrimônio histórico agradece a distância da modernização a que a cidade ficou relegada. Em 1938, o poeta Manuel Bandeira escreveu: "Não se pode dizer de Ouro Preto que seja uma cidade morta. (...) Ouro Preto é a cidade que não mudou, e nisso reside seu incomparável encanto". Nesse mesmo ano a cidade foi tombada como Patrimônio Nacional, num movimento nacional de proteção à memória cultural que começara com os modernistas, ainda na década de 1920, eculminara com a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), em 1937. Em 1933, Ouro Preto fora considerada "Monumento Nacional" e, em 1980, veio o reconhecimento internacional: a cidade foi declarada pela Unesco
Patrimônio Cultural da Humanidade.
Da visita do poeta Bandeira até hoje muita coisa mudou. O trânsito desordenado, reformas sem autorização em imóveis tombados e a ocupação de sítios históricos e encostas da cidade são alguns dos desafios enfrentados hoje pela cidade barroca e pelo
Iphan, órgão responsável por sua preservação. Hoje, principal iniciativa para conservar e recuperar monumentos históricos da cidade vem do projeto Monumenta, financiado pelo Ministério da Cultura e Prefeitura Municipal com ajuda da Unesco e BID.
Clique para assistir ao
vídeo Centro histórico, disponibilizado pelo Site Cidades Históricas Brasileiras.