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Urgência para o caótico trânsito de Ouro Preto
Mauro Werkema
contato@ouropreto.com.br


Jornalista e ex-secretário de

Cultura e Turismo de Ouro Preto

Foto: Acidente na Rua das Flores

 

O problema é complexo. Talvez o mais difícil dos problemas urbanos de Ouro Preto. Crônico, já suscitou várias discussões, propostas e até estudos formais, por organismos locais, nacionais e internacionais. Todos arquivados. E, no momento, face ao aumento da frota de veículos, agrava-se extraordinariamente em todas as capitais brasileiras. Falamos do trânsito de Ouro Preto, questão que se encontra na ordem do dia na tricentenária cidade, de traçado medieval, de ruas tortuosas e estreitas, formadas conforme a curva de nível dos morros que, historicamente, demarcam seu tecido urbano. O caos no trânsito ouropretano, como todos sabemos, não decorre somente do crescimento excessivo da frota de veículos. Tem causa também na falta de coragem e iniciativa de governantes, por muitos anos, de implantar medidas disciplinadoras. Ou de providenciar transporte público adequado.

 

Agora, como se previa, além da poluição visual e sonora e do impedimento do deslocamento em tempo útil e sem risco,  o caos já começa a fazer vítimas. Nos últimos dias três acidentes, com vítima, mostram que os limites foram alcançados. É hora de a Prefeitura, com o indispensável apoio dos demais organismos públicos e, é claro, com a favorável opinião pública, tomar providências rápidas e eficazes. E que fique claro que não pode mais persistirem  privilégios de estacionamentos, de lugares marcados, de trânsito a qualquer hora de veículos de qualquer porte. Não é possível que todos ganhem. Aliás, para que todos ganhem é preciso que alguns percam, sobretudo em uma cidade histórica como Ouro Preto.  

 

O exemplo de São Paulo, exposto diariamente na televisão, é pedagógico. A cidade está ilhada, paralisada.  Existem dois carros para cada três habitantes. O transporte coletivo, via ônibus, não dá vazão. E, com o automóvel sendo vendido a R$ 100,00 por mês, todos compram, mesmo os que, com o tempo, não podem pagar.  E tanto São Paulo como o Rio possuem imenso sistema de transporte coletivo, inclusive metrôs, que transportam milhares de pessoas. No caso de Ouro Preto, é preciso aprender com outras cidades históricas, que já passaram por problemas semelhantes. Na Itália, em certos fins de semana ou feriados, Veneza fecha sua portas. Cidades como Siena ou Montaltino, também Patrimônios Culturais da Humanidade,  mantêm os carros fora de suas muralhas. Outras estabeleceram áreas de circulação restrita, para deslocamento ou estacionamento. É  assim também com Florença, em que automóveis não entram na área histórica.

 

Que fique claro que Ouro Preto é bem diferente. A questão da Praça Tiradentes, ligando os principais núcleos urbanos, Rosário e Pilar de um lado, e Antônio Dias,  Santa Efigênia e Padre Faria, de outro, é difícil de equacionar. A Praça terá que continuar sendo passagem e ligação.  Mas o estacionamento não só na Praça Tiradentes como nas ruas de acesso deveria ser imediatamente proibido.  E que se criem áreas de estacionamento fora da cidade, com transporte em veículos menores. Caminhões pesados, nem pensar. O abastecimento do comércio deve ter horário certo, com veículos menores. Ou que se façam estacionamentos subterrâneos, como algumas cidades européias, hipótese bastante difícil em Ouro Preto, por vários motivos. Mas é preciso fazer alguma coisa, com rigor.

 

Na década de 70 foi implantada a Rodovia do Contorno (Rodrigo Melo Franco de Andrade), que retirou o trânsito pesado que demanda Mariana e Ponte Nova. O Geipot, órgão federal de estudo de transporte, já não existente, deixou fecundo estudo para o trânsito de Ouro Preto na década de 80. E a Fundação Jean Paul Getty, de Los Angeles, também deixou relatório sobre a questão. Nada se fez. O que se espera é que não seja, mais uma vez, adotada uma gambiarra, meramente paliativa, provisória e inconsistente. E que haja ousadia e coragem, indispensáveis a que alcancemos solução consistente e compatível com a velha cidade.


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