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Fato curioso acontecido com o inconfidente Francisco de Paula Freire de Andrade
Angela Xavier
angelaxbr@yahoo.com.br


Nascido no Brasil e ex-comandante da tropa sediada em Vila Rica, era filho de famílias nobres de Portugal. Por ocasião da grande devassa levada a efeito assim que foi denunciada a conspiração, ele foi preso e levado para a Ilha das Cobras. A sentença final o condenou à morte na forca juntamente com mais 11 de seus companheiros. Nesse tempo, morrer na forca era uma humilhação para toda a família e ele estava bastante desgostoso com isso. Poderia até morrer, mas de outra maneira; que fosse fuzilado!

 

Sua irmã, também brasileira, entrou em contato com amigos e parentes influentes em Portugal para tentar tirar, de seu irmão, a pena de morte. Ela estava empenhada nesta causa quando soube, por pessoas próximas do poder, que a pena de morte havia sido comutada para onze dos implicados e que apenas Joaquim José da Silva Xavier seria morto na forca. Mas tinha um detalhe: essa notícia não seria dada agora. A data do enforcamento era para daí a seis meses e os condenados deveriam sofrer os horrores da véspera da morte até o fim. Somente na véspera da execução, a notícia da comutação da pena de morte seria dada. Então o governo português mostraria sua generosidade, mandando os condenados para o degredo na África.

 

Ao ter essa informação, a irmã do tenente-coronel queria de todas as maneiras aliviar os sofrimentos de seu irmão, fazendo a notícia chegar a seus ouvidos. Mas era uma missão praticamente impossível. Os inconfidentes estavam incomunicáveis e eram rigorosamente vigiados. As únicas pessoas que tinham contato com os prisioneiros eram os carcereiros e os padres. Os padres, mesmo sendo fiéis aos reis portugueses, tinham piedade do sofrimento humano.

 

Mas como fazer isso sem comprometer o religioso?

 

Teve uma idéia brilhante: resolveu escrever um bilhete com a notícia da comutação da pena de morte e escondê-lo dentro de uma maçã. Cortou a fruta com uma faca bem fina, tirou um pedaço de seu interior, deixando espaço para colocar o bilhete. Depois fechou com o pequeno cone cortado rente, sem deixar rastro.

 

Entregou, então, a fruta a um padre que seria o confessor de seu irmão e com lágrimas nos olhos pediu-lhe para entregá-la a ele.

 

O padre levou a maçã ao seu destinatário naquele mesmo dia. Ele ficou muito agradecido com o carinho de sua irmã mas, sem saber do bilhete, pediu ao padre para dar a fruta ao vigário Toledo, que estava muito abatido.

 

O padre ficou muito bem impressionado com o espírito altruísta do tenente-coronel e levou a maçã ao Vigário Toledo. Quando ele mordeu a fruta ficou admirado ao ver cair o bilhete. Leu então a notícia tão importante para o seu destinatário, mas indiferente para ele. É que os padres não podiam ser condenados à morte, pagando por seus crimes de outra forma.

 

Pura ironia do destino! Nenhum dos inconfidentes presos soube da comutação da pena, senão na véspera da execução, como queria a coroa portuguesa. Somente no dia 20 de abril de 1792, eles foram reunidos para a leitura da Carta Régia. Tiraram-lhes das algemas. Apenas o Tiradentes seria enforcado, assumindo a culpa maior pelo movimento libertário de Minas.

 

Foto: Panteão dos Inconfidentes no Museu da Inconfidência - Divulgação Museu da Inconfidência

 

*Angela Xavier é historiadora, autora do livro "Tesouros, Fantasmas e Lendas de Ouro Preto".


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