Ouro Preto discute um acordo de convivência – Por Mauro Werkema


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Penso que a maioria absoluta da população ouropretana  gosta dos estudantes e das “repúblicas”. Afinal, elas fazem parte do panorama humano e cultural  da cidade histórica. Fazem o “colorido” próprio da juventude, conferem alegria à cidade e, sobretudo, como estudantes, merecem o reconhecimento e o apoio a quem estuda e procura adquirir uma profissão importante para o País e para todos nós. É natural também que os jovens queiram realizar suas festas e que haja confraternização e impere  o espírito alegre  nas celebrações com os parentes, com os amigos, com a comunidade, em  momentos de descontração que são essenciais para o descanso de quem estuda.

É preciso lembrar que Ouro Preto é o campus da UFOP. E que esta é uma  cidade viva, dinâmica, onde moram, trabalham, deslocam-se milhares de pessoas, em múltiplas atividades. E ainda é uma cidade turística, onde são realizados festivais, convenções e congressos, em razão da natural vocação da cidade para o Turismo de Eventos e Negócios. E a UFOP, por outro lado, já não é apenas a Escola de Minas, de 1876, e a Escola de Farmácia, de 1839, com poucas “repúblicas”, em que todos os alunos eram conhecidos. Campus de uma universidade de porte, cidade histórica, cidade turística, cidade viva, com traçado medieval, intimista, com conjunto urbano conurbado, Ouro Preto precisa encontrar meios mais pacíficos e civilizados de convivência entre estes diversos públicos.  Alcançar  um acordo de  convivência, fraterna e solidária, é essencial à própria consolidação de Ouro Preto como pólo de Educação, Cultura e Turismo. E esta diversidade é, afinal, que faz o encanto e a beleza da tricentenária cidade.

É claro que é preciso coibir os excessos.  Muitas festas, prolongadas, permissivas, venda de bebidas, fornecimento de hospedagem  e alimentação pagas, sons elevados e sem limites de horários,  perturbando vizinhos, concorrendo com hotéis e restaurantes e,  por  consequência, retirando das “repúblicas” o indispensável clima de estudos e reflexão, que exige silêncio e atenção direcionada. Questiona-se também o critério de seleção dos “bichos”, alunos novatos, submetidos a trotes como uma espécie de  “ritual de entrada” na “república”.  É preciso que o critério de seleção inclua a necessidade social, ou seja, permitindo  que seja acolhido prioritariamente o aluno mais pobre, sem condições de pagar moradia.  São questões que podem ser perfeitamente resolvidas.  

Em diversas ocasiões, a Reitoria da UFOP tem feito intervenções e normatizações, conseguindo avanços no diálogo com os estudantes. É o que está fazendo no momento o reitor João Luiz, em conversa com os estudantes, a propósito das recomendações do Ministério Público. É forçoso reconhecer o  papel do Ministério Público na construção da democracia no Brasil. Apesar de  alguns excessos, vai  exercendo sua missão com  saldos positivos e incontáveis contribuições à normalização, correção, transparência e ética nas condutas públicas.  Solicitar normas de conduta para as “repúblicas” faz parte de suas atribuições, o que, de resto, era esperado.

A solicitação do MP oferece, portanto, oportunidade para que estudantes, UFOP e comunidade construam um novo entendimento, em benefício de todos. A questão, afinal, é idêntica à que se coloca quando acontecem fatos como o desastrado 21 de abril passado, com o uso abusivo da cidade. É preciso celebrar um Acordo de Ajuste de Conduta  ou de convivência, ou que se adote um regulamento ou código de conduta, pela Prefeitura, aprovado pela Câmara, reconhecido pelas entidades da sociedade civil, com adesão da Magistratura, do Ministério Público e pela UFOP.

 





06/05/2009 13:33:44


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