Afinal, quem matou Aline? Por Mauro Werkema


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                                                                 Texto  Mauro Werkema 

 

Afinal, quem matou Aline? Será  que o crime cairá no rol dos mistérios de Ouro Preto, tanto quanto o assassinato da advogada  Valmeire, encontrada morta em sua residência, na rua Direita, com um tiro na nuca? Será possível que a execução de Aline, perpetrada com requintes de extrema crueldade, 17 perfurações a faca, com o corpo despido e jogado no Cemitério das Mercês, ao lado da Praça Tiradentes, na chegada de Ouro Preto, ficará impune? Com todo este ritual macabro, certamente coletivo, demorado, com transporte do corpo, ninguém viu, não há qualquer pista séria? Não é possível apurar seus últimos passos,  onde estava hospedada, com quem estava? Estes dois crimes têm autores e certamente os criminosos, ou seus comparsas,  convivem nas ruas de Ouro Preto, onde são muitos os boatos e versões, quase todos envolvendo o tráfico de drogas e o comprometimento de integrantes da própria polícia.

 

Falta vontade para que a apuração seja efetivamente feita? Fala-se que todo e qualquer crime, quando há  concreta vontade de investigação, acaba desvendado. Basta haver interesse real e comando. Foi assim com o assassinato, em Mariana, do ex-prefeito João Ramos, quando partiu do governador do Estado, a pedido do próprio prefeito Celso Cotta, a determinação forte para que o crime fosse apurado e os responsáveis presos. E assim tem sido com vários outros casos. Será que não há interesse na apuração? No caso de Mariana, foram deslocados para a cidade corpos policiais especializados,  em operação rigorosa, com todos os meios de investigação. Por que não é adotado o mesmo procedimento em Ouro Preto?

 

Quatro réus foram levados a júri popular, oito anos depois. Os quatro inocentados, por unanimidade. O que efetivamente aconteceu? Está claro que os jurados, pessoas sérias, julgaram  livremente, com suas consciências,  que não havia provas suficientes nos autos para a condenação. Mas como se explica que a polícia apontou estes réus? Qual a convicção, resultante de investigações, que a levou a esta acusação? E o Ministério Público, que tem ampliado sua atuação e responsabilidades em todo o País, como  avaliou o processo? Terá, também, julgado procedentes as provas apresentadas ou poderia ter determinado, com os poderes de que dispõe, maiores investigações, uma vez constatada a fragilidade das provas? Ou poderia até, como já ocorreu em outros casos, ter pedido ajuda da Secretaria de Segurança do Estado para que a polícia civil local, notoriamente despreparada ou desinteressada, fosse reforçada.

 

A promotora, após a sentença de inocência, declarou que entregava para Deus. Então desistiu de sua função? Ora, e o crime,  a família, a sociedade? Ou, e a Justiça, que deve impor limites morais e éticos pela exemplaridade, em um crime tão rumoroso e tão tenebroso? O Ministério Público, e até mesmo a Magistratura local, a Prefeitura, os organismos policiais, deveriam solicitar ao governador do Estado que envie a Ouro Preto policiais  qualificados para uma efetiva apuração. Os autos, elaborados pela polícia civil, parecem mesmo ineficientes, sem provas concretas, meras suposições, facilmente desmontadas pelos advogados. Quem foi o responsável por esta armação? Quem foi o delegado que presidiu o inquérito?

 

Ouro Preto, berço da civilização mineira, cidade cultural e turística, infelizmente apareceu em todos os grandes veículos da imprensa brasileira com tão horroroso crime. É fundamental que apareça agora com a apuração e punição dos criminosos, incluindo o crime da advogada Valmeire. Ou, então, ficaremos todos com esta culpa, a pesar na consciência coletiva, como exemplo da incapacidade da sociedade organizada e civilizada de evitar e punir estes crimes. A impunidade, repetida, é perigosa. É contagiante. É do interesse de todos que haja apuração plena. É do interesse de toda a sociedade, das autoridades municipais, dos organismos estaduais, da  UFOP e dos estudantes, da Igreja. E, afinal,  esperamos,  haja concreta vontade da própria polícia e do Ministério Público. Esse é o claro clamor da opinião pública.

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06/07/2009 11:56:22


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