09/02 - Carnaval de Ouro Preto mostra maior controle – Por Mauro Werkema
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Há avanços no planejamento do Carnaval de Ouro Preto. E também de outras cidades históricas que recebem nestes dias grande massa humana, ultrapassando os limites de suportabilidade urbana e criando riscos diversos. Em Ouro Preto, caso mais grave, pela própria reputação da tricentenária cidade, vem ocorrendo um esforço conjunto entre o setor público e o privado no sentido de formatação de um modelo de Carnaval de modo que a festa não perca seu brilho mas mantenha-se nos limites ditados pela condição excepcional da cidade, de ruas estreitas, casas conurbadas, serviços públicos limitados (água, energia elétrica etc) construções frágeis, segurança insuficiente. E, sobretudo, condutas inadequadas de parcela dos visitantes, que se julga estar em terra onde tudo pode ser feito.
Em primeiro lugar, os empresários do turismo, hoteleiros, donos de restaurantes, instituições da sociedade civil, sob a liderança da Associação Comercial, com participação da Prefeitura, elaboraram um documento com sugestões sobre o Carnaval. O documento é objetivo, indica locais a serem incentivados, condena a “bahianalização” do Carnaval ouropreto, reivindica o retorno à festa mais tradicional. Mas a principal inovação é certamente a proibição, assumida pela Reitoria da UFOP, após ameaça de ajuizamento de ação de improbidade administrativa, de hospedagem por parte das 56 “repúblicas” instaladas em prédios públicos federais. Elas poderão receber pessoas mas não podem cobrar por qualquer motivo. Providência de há muito reclamada e aguardada.
A iniciativa é do Ministério Público, com apoio da Prefeitura, do empresariado, da população da cidade e, naturalmente, da Reitoria, conforme manifestação do reitor, professor João Luiz Martins, como é do seu dever como administrador de uma instituição federal. De resto, é um bom exemplo, que deve provocar alguma conseqüência nas outras “repúblicas” particulares. Mas não deverá prejudicar o brilho, a juventude, a alegria do Carnaval ouropretano, que tem nos jovens estudantes, e seus blocos, um dos traços mais distintivos. De resto, a distribuição dos públicos pelos diversos espaços, o incentivo às escolas de samba e alguns blocos, o estímulo às músicas antigas, o planejamento mais amplo e objetivo quanto à segurança e as atividades comerciais, tudo isto deverá ter impacto positivo no Carnaval. E poderá fazer com que muitos foliões, e suas famílias, retornem à cidade. E que os blocos antigos, como o Zé Pereira dos Lacaios, o Banjo de Prata, a Bandalheira, o Balanço da Cobra, mesmo os das “repúblicas” mais antigos, possam sair e desfilar sem ter que abrir espaço na força bruta.
Paira nas discussões em torno do Carnaval uma afirmação do secretário de Cultura e Turismo, Gleiser Boroni, que Ouro Preto deverá receber 40 mil pessoas, número absolutamente excessivo e além do possível e do admissível. Isto é quase a população total da cidade de Ouro Preto (o município tem população em torno de 68 mil (IBGE/2004, incluindo os 13 distritos). A oferta de hospedagem entre hotéis e pousadas não ultrapassa os 3.000 leitos. As “repúblicas” particulares devem receber em torno de 1.500 pessoas. Será que o restante fica em casas particulares? De qualquer maneira, o apelo reproduzido pelas rádios e mesmo jornais de Belo Horizonte, com o convite formal e amplo para virem passar o Carnaval em Ouro Preto está na contramão do esforço para torná-lo mais compatível com a cidade histórica.
O movimento iniciado pelas cidades históricas, por iniciativa do atual secretário de São João del-Rei, Raulf Justino, é meritório enquanto prega um planejamento rigoroso, que contenha as extrapolações e abusos. E que evite a presença de uma horda selvagem, desrespeitosa para com as cidades, que nem sabe onde está. Mas este movimento não pode representar propaganda e maior estímulo a que aumente os visitantes. O objetivo é qualificar o público visitante e não aumentá-lo, uma vez que o número de pessoas já é suficiente. Mas, infelizmente, o que temos visto é também um chamado a novos visitantes, o que está em contradição com a essência do movimento.
Foto: Decoração para 2010/Eduardo Tropia
02/02/2010 12:45:49