06/02 - Em defesa das "repúblicas" de Ouro Preto – Por Otávio Luiz Machado


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Texto: Otávio Luiz Machado

Pesquisador (UFPE)  

Autor de "Repúblicas de Ouro Preto e Mariana:

Percursos e Perspectivas" (2009)

 

As repúblicas de Ouro Preto sempre foram destratadas por alguns setores que não sabem compreender a singularidade das casas e dos seus moradores. Não entendem a experiência acumulada e extremamente bem-sucedida na defesa do patrimônio cultural e na valorização do interesse público e a arte de receber pessoas das mais diversas origens no seu espaço.

 

Não podemos deixar de manifestar alguma preocupação quando a Justiça do nosso país busca criminalizar os moradores e a própria administração da Universidade Federal de Ouro Preto com argumentos muito pouco convincentes a respeito da manutenção de um patrimônio público de alto valor material e simbólico para o Brasil.

 

O impedimento por parte do Ministério Público de receber nas "repúblicas" jovens do Estado e de outras regiões para conhecer o Carnaval de Ouro Preto é apenas um sinal de que em outras datas a proibição irá se repetir, desrespeitando a autonomia da universidade, a experiência das "repúblicas" na relação com a sociedade (pessoas fora do seu círculo social por meio de atividades), a formação extracurricular dos atuais alunos (com o apoio dos ex-moradores) e o interesse público como fim, ao utilizar toda uma estrutura para incentivar a conservação do patrimônio público, que é de todos os brasileiros.

 

Não temos dúvidas de que os atuais moradores possuem o respaldo dos ex-moradores e das pessoas que anualmente visitam Ouro Preto por causa da estrutura singela montada pelas "repúblicas".

 

Como ex-aluno e autor de pesquisas sobre a história das "repúblicas" de Ouro Preto, demonstro minha indignação com relação a esses atos abusivos que visam destruir uma experiência secular bem-sucedida.

 

Quantas pessoas se formaram num curso superior com o apoio das "repúblicas"? Quanto Ouro Preto deve aos estudantes que, desde o esvaziamento populacional da cidade, nos fins do século XIX, batalharam para manter essas casas bem conservadas e vivas para a história?


Que cada ex-aluno e cada morador de hoje levante uma bandeira de protesto e indignação com relação a esses atos, lesivos ao interesse público, promovidos por pessoas com visão desfocada sobre as nossas "repúblicas".

 

Aos corajosos protagonistas que moram nesses espaços privilegiados, o nosso apoio.

 

Fonte: O Tempo





04/02/2010 00:03:59


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