Cidade - Cerimônias da Semana Santa serão presididas pela Paróquia do Pilar


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A Semana Santa em Ouro Preto é uma das expressões mais altas da religiosidade dos mineiros e força das raízes culturais do barroco. Segundo estudiosos, é o momento em que a antiga capital mais se identifica com o seu ambiente, ao fundir cenário e atores num espetáculo único, marcado pela fé e pela arte. Visitantes do país e do exterior acorrem a Ouro Preto, atraídos pelo encantamento da celebração.

 

Neste ano, por ser par, as cerimônias são presididas pela paróquia do Pilar, que se reveza com a paróquia da Conceição de Antônio Dias, há quase três séculos, na organização do evento. A alternância surgiu para evitar a rixa entre paulistas e portugueses, os primeiros moradores de Ouro Preto. São lembranças da famosa Guerra dos Emboabas, que envolveu os pioneiros na disputa pelas minas de ouro.

 

Os portugueses se concentravam na freguesia do Pilar, e os paulistas na de Antônio Dias. Em 1733, um festival barroco de nove dias marcou a reabertura da matriz do Pilar, ampliada e enriquecida. Foi o "Triunfo Eucarístico", e a pompa de suas procissões e cerimônias marcou para sempre a liturgia em Ouro Preto. Os atos da Semana Santa evocam aqueles rituais, especialmente a procissão da Ressurreição, na manhã do domingo de Páscoa, quando as ruas são enfeitadas com tapetes de flores e serragem.

 

A orquestra e coro do Pilar, sob a regência de Alcindo Alves, preparam as peças do século XVIII a serem executadas durante as principais cerimônias. As alfaias deixam os gavetões das cômodas coloniais, e os lampadários de prata recebem lustro especial. As irmandades portam suas opas e cruzes processionais. O diretor do Museu de Arte Sacra do Pilar, Carlos José Aparecido Oliveira, diz que todos os objetos e paramentos autênticos são utilizados.

 

Muitos moradores acendem as velas em lanternas nas sacadas, e colchas de renda ornamentam as fachadas na Páscoa. As bandas de música acompanham os cortejos. O Judas será festivamente queimado, na tarde de sábado da Aleluia, ao lado da capela do Bonfim, com distribuição de bala para a criançada. O cônego José Feliciano Simões, pároco do Pilar, afirma que a Semana Santa "ilumina a fé da comunidade e ensina a todos os valores do espírito e da cultura".

 

O Lava-Pés e o Descendimento da Cruz, nas noites de quinta e sexta-feiras santas, acontecem no largo do Rosário, diante da igreja da irmandade dos pretos, que é uma das mais belas do barroco mineiro, por suas formas elípticas. A procissão do Enterro atravessa a noite da sexta-feira da Paixão e vai até a matriz de Antônio Dias, retornando à matriz do Pilar. No sábado, grupos de seresteiros acompanham os moradores que confeccionam os tapetes de flores, e muitos turistas acabam participando da obra.

 

Além das cerimônias, os visitantes podem conhecer os museus e igrejas, minas de ouro e de topázio, bem como viajar no trem Maria-Fumaça para Mariana (18 km) e descobrir as montanhas no caminho de Lavras Novas. São inúmeros atrativos. E ainda há exposições de arte nas galerias e concertos especiais em igrejas.

 





25/02/2008 13:43:24


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