Instituto Geotécnico poderá prevenir riscos com anos de precedência
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Por Bruna Santos - ouropress
Em Ouro Preto não se pode chover mais que 600 mm por mês que gera escorregamentos. De acordo com o engenheiro Romerinho, 60% da área urbana é classificada como Risco 4 – o mais alto.
As chuvas de março sequer chegaram para fechar o verão, período de chuvas torrenciais que lavam nossas encostas, e o que a cidade já fez para minimizar novos transtornos? Na noite de terça-feira (13), o geólogo e engenheiro civil, Romero César Gomes, conhecido como professor Romerinho, apresentou, no Plenário da Câmara Municipal, a proposta de criação do Instituto Geotécnico de Ouro Preto – IGEO, órgão que poderá precaver, a partir de conhecimento técnico, situações de risco, configurando-se como solução para a geologia desfavorável do município.
A proposta é para que o IGEO – Ouro Preto seja uma autarquia de natureza técnico-consultiva coordenada por um superintendente que deverá trabalhar com bolsistas e com a participação de voluntários. “É um instrumento de muito pouco impacto econômico para o município”, avalia o geólogo ouro-pretano Romerinho. A ação do Instituto seria a de dar continuidade à Carta Geológica e Geotécnica de Ouro Preto, da qual Romerinho é um dos autores, por esta se tratar de um documento dinâmico que tem a necessidade de se manter atualizada conforme o desenrolar dos acontecimentos.
Com o IGEO, a Prefeitura de Ouro Preto terá um instrumento para evitar o corte indevido nos pés de taludes ou sobrecargas nos topos das serras. Os estudos geotécnicos mostram de forma hierárquica a situação dos taludes, indicando a prioridade na aplicação de recursos. A prevenção de riscos poderá ser feita com meses, e até mesmo com anos, de antecedência.
Romerinho afirma que já foi iniciada uma conversa com o Executivo e o principal questionamento seria em relação a custos. Em contrapartida, ele diz ter visto “um posicionamento bastante firme e enfático da Câmara no sentido de encontrar uma solução que possa superar esses problemas e dar início imediato ao trabalho do IGEO”.
Além dos 10 vereadores do Legislativo ouro-pretano, acompanharam a proposta de criação do IGEO o Secretário Municipal de Obras, Paulo Morais, o Coordenador da Defesa Civil, Roberto Gomes, e pessoas da comunidade.
Dados de Ouro Preto – A cidade apresenta hoje 15 inclinômetros - instrumento utilizado para observar uma possível movimentação em determinado terreno a partir do monitoramento de deformações.
De acordo com o geólogo Romero César Gomes, a cidade apresenta 109 novos pontos de escorregamento, sendo a Serra Ouro Preto – região dos bairros São Francisco, Piedade e Taquaral – a área mais crítica. Nessa localidade, temos cerca de seis mil moradores. Segundo Romerinho, “a geologia é tão crítica em Ouro Preto que mesmo em ocupações ordenadas há risco”. Situação comum a todas as cidades do Quadrilátero Ferrífero e agravada pelo fato do município ser um grande vale encaixado entre duas serras.
Na Carta de risco geotécnico da cidade, a classificação predominante é o grau de Risco 4, o mais alto, que concentra 60% da área urbana de Ouro Preto, em uma escala onde o grau de risco segue a metodologia: Risco 1 (Baixo), Risco 2 (Médio), Risco 3 (Alto) e Risco 4 (Muito Alto). “Em Ouro Preto, não pode chover mais que 600 mm por mês, senão começam a ocorrer escorregamentos”, pontua o geólogo ao afirmar que uma das soluções é trabalhar a drenagem contínua, o que passa por atividades simples da engenharia. “Estamos transformando o ciclo hidrológico (chover, infiltrar, escoar e evaporar) de forma complicada”, conclui.
Romerinho lembra que de 10 em 10 anos Ouro Preto é palco para chuvas de grandes densidades. Foi assim em 1979, 1989, 1997 e neste ano de 2012, sendo fundamental um órgão para monitoramento geotécnico contínuo.
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14/03/2012 12:07:58